Para melhorar a pronúncia em inglês, concentre o treino nos sons que o português não tem ou usa de outro jeito: a vogal que aparece depois da última consoante ("linqui"), o th, o r e o h do começo, o i curto, o é aberto de "bad", o -ed do passado, o l e o m do fim e a sílaba forte. Para cada um, treine primeiro o ouvido, com pares de palavras que só mudam naquele som, e depois a boca, gravando a sua voz e comparando com o original. Dá para fazer isso em dez minutos por dia.

As palavras em inglês com link abrem o verbete do Cambridge Dictionary, onde dá para ouvir a pronúncia britânica e a americana.

Como melhorar sua pronúncia em inglês, aula 2.6.4 do Guia de Idiomas Assistir à aula
A aula de pronúncia do Guia de Idiomas, o curso que eu lancei em 2020, com o método para treinar cada som desta lista.

A meta é ser entendido

Na aula de pronúncia do curso, eu lembro que o objetivo de um idioma é falar, ser entendido e passar a mensagem. O sotaque brasileiro pode ficar. Num estudo de 1995, ouvintes nativos transcreveram falas em inglês de falantes de mandarim. Em geral, elas foram bem entendidas, e os autores concluíram que sotaque forte não torna a fala necessariamente difícil de entender (Munro e Derwing, 1995). O método para chegar lá, que vale para qualquer idioma, está em como melhorar a pronúncia em outro idioma. Aqui o assunto são os sons do inglês.

O que pede atenção é o som que troca uma palavra por outra. Se "three" (três) sai como "tree" (árvore), quem ouve entende outra coisa. Por isso os exemplos abaixo vêm em pares.

Por que os mesmos tropeços se repetem

A boca segue as regras do português. No fim da sílaba, o português aceita poucos sons: s, r, l e o m ou n que deixam a vogal nasal. Quando aparece outra consoante ali, a gente põe um i depois, como já faz com palavras que vieram do inglês: "link" vira "linqui", e "laptop" vira "lépitópi" (John e Cardoso, 2017).

O ouvido também segue o português. Num estudo com 16 professoras brasileiras de inglês, todas fazendo mestrado ou doutorado e com mais de cinco anos de aula, as vogais que elas confundiam ouvindo eram as que saíam parecidas com uma única vogal do português (Rauber, Escudero, Bion e Baptista, 2005). Por isso cada som abaixo começa pelo ouvido.

Os sons, um a um

A vogal a mais no fim

O i depois da última consoante muda a palavra: "cook" (cozinhar) vira "cookie" (biscoito). Num estudo pequeno sobre o t e o d do fim, com nove alunos de nível pré-intermediário, mais de 40% desses sons saíram como os de um nativo, presos. Nos outros, apareceram o t com som de "tch" (como o t de "tia" em boa parte do Brasil), o t com um sopro de ar depois e a vogal a mais, que veio mais depois do d. E os alunos que distinguiam melhor esses sons ouvindo eram os que pronunciavam melhor (Bettoni-Techio, Rauber e Koerich, 2007).

Para acertar, diga a palavra e pare na consoante, com a boca presa na posição dela. Em "cook", a parte de trás da língua encosta no céu da boca e fica lá. Em "bad", a ponta da língua encosta atrás dos dentes de cima e fica lá, sem i nem e depois.

O th

O português não tem o som do th, e trocar por um vizinho muda a palavra: com t, "three" (três) vira "tree" (árvore); com d, "they" (eles) vira "day" (dia). Ponha a ponta da língua entre os dentes, encostando de leve nos de cima, e deixe o ar passar. Em "three" sai só ar; em "they" a garganta vibra, como no nosso d. Com a mão no pescoço, você sente a diferença.

O r e o h do começo

Diga "rato" e preste atenção no r. Em boa parte do Brasil, ele sai como um sopro na garganta, parecido com o h do inglês. Por isso "red" (vermelho), lido com o r de "rato", fica perto de "head" (cabeça). No r do inglês, a ponta da língua sobe sem encostar em nada e os lábios arredondam um pouco.

O h dá o problema contrário. Em português ele é mudo, como em "hora", e "hate" (odiar) lido com o h mudo vira "eight" (oito). No inglês, o h do começo quase sempre soa; uma das exceções é "hour" (hora).

O i curto, o i longo e o é de "bad"

"Ship" (navio) e "sheep" (ovelha) mudam só na vogal. O i de "sheep" parece o nosso, um pouco mais comprido. O de "ship" é curto e mais solto, a meio caminho do ê. No estudo das vogais, as professoras ouviram bem essa diferença, com quase 94% de acerto, mas só metade delas fazia alguma distinção ao falar, e pequena (Rauber, Escudero, Bion e Baptista, 2005).

Outro par deu mais trabalho: o é de "bed" (cama) e o é aberto de "bad" (ruim). No teste de ouvido, elas acertaram 44% das vezes, e nenhuma diferenciou as duas vogais ao falar. Para o "bad", abra mais a boca, como se fosse dizer a, mas falando é.

O -ed do passado

O -ed só vira sílaba depois de t ou d, como em "wanted". Depois de sons sem voz, como p, k, s, f, "ch" e "sh", ele soa t: "worked" tem uma sílaba só. Depois dos outros sons, soa d: "played" também tem uma. Os adjetivos seguem a mesma regra: "tired" (cansado) termina em som de d, "relaxed" (relaxado) em som de t, e "excited" (animado) ganha a sílaba, porque antes vem t.

O l e o m do fim

Diga "mal" e "mau": na maior parte do Brasil, soam iguais, porque o l do fim vira u. No inglês, o l do fim é l, com a ponta da língua encostada atrás dos dentes de cima. Com o l virando u, "goal" (meta, ou gol) fica quase igual a "go" (ir), e "cold" (frio) fica perto de "code" (código).

Com o m, diga "sim" e repare: os lábios não fecham no fim. No português, o m e o n do fim deixam a vogal nasal e muitas vezes nem soam como consoante. No inglês, o m fecha os lábios, e isso separa "team" (equipe) de "teen" (adolescente). Uma revisão de estudos com brasileiros aponta que essa diferença tende a ser mais difícil de ouvir depois de um i, como nesse par (Kluge, 2012). Exagere: lábios bem fechados no fim de "team".

A sílaba forte

Muita palavra do inglês parece com o português e tem a força em outro lugar. "Chocolate", "comfortable" (confortável) e "favorite" (favorito) têm a força na primeira sílaba. Na transcrição do Cambridge, a sílaba forte vem logo depois de um tracinho alto (ˈ).

Num estudo, ouvintes transcreveram gravações com a sílaba forte trocada de lugar. Nativos e não nativos reagiram de forma muito parecida, e o quanto a troca atrapalhou dependeu da direção da mudança e de a vogal mudar junto (Field, 2005).

Um treino de 10 minutos

Escolha um som por semana e, nos dias de treino, faça assim:

  1. Dois minutos de ouvido: ouça o par no dicionário, alternando, até perceber a diferença de olhos fechados.
  2. Três minutos de boca: repita cada palavra em voz alta, exagerando a diferença.
  3. Três minutos de frase: grave a frase do som, da tabela abaixo.
  4. Dois minutos de comparação: ouça a gravação e o áudio do dicionário e anote a palavra que saiu diferente. Ela é o treino de amanhã.
SomPar para ouvirFrase para gravar
A vogal a maiscook / cookieI cook pasta and eat a cookie.
O ththree / tree, they / dayThey have three trees.
O r e o hred / head, hate / eightI hate my red hat.
O i curto e o longoship / sheepThe sheep is on the ship.
O é abertobed / badThat bed is bad for my back.
O -edworked, played, wantedI worked all day, played tennis and wanted to sleep.
O l do fimgoal / goMy goal is to go to Canada.
O m do fimteam / teenThe team has a new teen player.
A sílaba fortechocolate, comfortable, favoriteThis chocolate is my favorite.

No Lanna, dá para ter uma segunda opinião automática: crie um material colando as frases da tabela como texto, e cada frase ganha áudio. No modo Treinar pronúncia, você ouve a frase, grava a sua versão e recebe uma nota: a porcentagem das palavras que o reconhecimento de voz entendeu do jeito certo. Embaixo aparece o texto que ele entendeu. Leia esse texto inteiro: se "The sheep is on the ship" voltar como "The ship is on the ship", o i longo não chegou. A nota não mede sotaque nem entonação, só se as palavras foram entendidas. Toda conta nova começa com um teste de 7 dias, sem cartão de crédito, e nele dá para criar até dois materiais.

Para levar esses sons para a conversa, veja como praticar inglês falando.