Uma boa pergunta de conversação pede uma história ou uma opinião, e a resposta não cabe num yes. De um nível para o outro muda o tamanho do pedido: no A2, a rotina, os hábitos de antes e os planos; no B1, uma experiência e o que a pessoa faria numa situação imaginada; no B2, uma opinião defendida e comparada com outras. Abaixo estão perguntas para adultos, por nível e por tema do dia a dia, cada uma com um follow-up, e um jeito de conduzir a conversa e de corrigir sem interromper.
O que faz uma pergunta render conversa
"Do you like your job?" se responde com uma palavra. "What's the best part of your job, and what would you change?" pede uma descrição e uma ideia, e o aluno precisa montar frases para chegar lá. Pergunta com what, how, why ou tell me about abre mais do que pergunta com do, is ou can.
A primeira resposta quase sempre sai curta. A conversa acontece no follow-up, a pergunta seguinte, feita a partir do que o aluno disse: ela mostra que você ouviu e pede mais um pedaço. Os follow-ups das tabelas são sugestões, e estes servem para quase qualquer pergunta:
- What happened next?
- Why do you think that is?
- Can you give me an example?
- How did you feel about it?
- What would you do differently?
- Does everyone you know agree with you?
Adulto fala mais do que conhece: trabalho, casa, dinheiro, comida, viagem, a cidade onde mora. Deixe sempre a saída de responder sobre alguém que ele conhece, ou de passar a pergunta, e só entre em salário, religião ou saúde se o aluno trouxer.
A2: rotina, hábitos de antes e planos
Pela grade de autoavaliação do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (o CEFR, na sigla em inglês), quem está no A2 troca informações simples sobre o dia a dia e descreve, com frases simples, a família, as condições de vida, a formação e o trabalho. Participa de conversas sociais muito curtas, mas em geral não entende o bastante para manter a conversa sozinho (Conselho da Europa). No A2, quem mantém a conversa é você, com o follow-up.
As perguntas treinam o presente simples, para a rotina, e quatro estruturas com atividade pronta no Lanna: there is e there are (A1, para quem ainda tropeça ao descrever a casa), used to, para os hábitos de antes, past continuous, para o que estava acontecendo, e going to, para os planos.
| Tema e estrutura | Pergunta | Follow-up |
|---|---|---|
| Casa e bairro (there is) | What is there near your home that you use every week? | What isn't there that you'd like to have? |
| Rotina (presente simples) | What does a normal Monday look like for you, from morning to night? | Which part of the day do you like most? Why? |
| Trabalho (presente simples) | How do you get to work or school, and how long does it take? | What do you do during that time? |
| Comida (presente simples) | What do you usually eat on a busy day? | And on a quiet Sunday? |
| Antigamente (used to) | What did you use to do on weekends when you were a teenager? | Do you still do it? Why or why not? |
| Antigamente (used to) | What did you use to do after school when you were a kid? | Do you still do anything like that today? |
| Um dia ruim (past continuous) | Think of a day when something went wrong. What were you doing when it happened? | What did you do next? |
| Planos (going to) | What's one thing you're going to change in your routine this month? | What's going to be hard about it? |
Escreva a pergunta na tela ou no chat: no A2, entender só de ouvido já é metade da tarefa. Os erros de brasileiro que mais aparecem nessas respostas, como "I use to" para um hábito de hoje, estão na página de cada atividade, com a explicação.
B1: experiências, condições e o que a pessoa faria
No B1, segundo a mesma grade, a pessoa já entra sem preparação numa conversa sobre assuntos conhecidos, como família, hobbies, trabalho, viagens e notícias. Conta experiências, fala de sonhos e ambições, dá razões curtas para opiniões e planos e conta o enredo de um filme ou de um livro, dizendo o que achou (Conselho da Europa).
Por isso as perguntas pedem o passado simples, para contar, o have you ever, para experiências, o first conditional, para planos que dependem de alguma coisa, e o second conditional, para situações imaginadas. O because aparece em quase todas: no B1, a razão faz parte da resposta.
| Tema e estrutura | Pergunta | Follow-up |
|---|---|---|
| Viagem (passado simples) | Tell me about a trip that didn't go as planned. | What did you learn from it? |
| Inglês na vida real (have you ever) | Have you ever had to use English in a real situation? What happened? | What would you say differently now? |
| Trabalho (razões) | Do you prefer working alone or in a team? Why? | Can you give me an example from last week? |
| Séries e filmes (contar o enredo) | Tell me about a series you watched recently. What's it about? | Would you recommend it to me? Why or why not? |
| Dinheiro (first conditional) | If prices keep going up, what will you stop buying? | What will you never give up? |
| Fim de ano (first conditional) | What will you do if you get a few days off in December? | And if it rains all week? |
| Um ano livre (second conditional) | If you didn't have to work for a year, what would you do? | What would you do on the first Monday? |
| Outra cidade (second conditional) | If you could live in another city for a year, which one would you choose? | What would you miss from home? |
No B1, o follow-up que mais rende é o porquê: se a resposta vier numa frase só, peça a razão ou um exemplo. E fique de ouvido em "If it will rain" e "If I would have", erros de brasileiro que estão nas atividades dos dois conditionals.
B2: opinião, argumento e o outro lado
No B2, a grade descreve alguém que participa ativamente de uma discussão em contextos conhecidos, explicando e sustentando o próprio ponto de vista, e que explica uma posição sobre um assunto atual com as vantagens e as desvantagens de cada opção (Conselho da Europa). A pergunta de B2 precisa ter mais de um lado. Se todo mundo der a mesma resposta, ela é de B1.
As perguntas treinam a linguagem de discutir: dar a opinião com ressalva (It depends on..., I'd say...), concordar em parte (I see your point, but...), comparar opções (The upside is..., the downside is...) e falar do que não aconteceu, com o third conditional (If I hadn't moved, I would have...).
| Tema | Pergunta | Follow-up |
|---|---|---|
| Trabalho remoto | Is working from home better for the company or for the employee? | What would make you change your mind? |
| Trabalho e redes sociais | Should a company care about what its employees post online? | Where would you draw the line? |
| IA na escola | Should students be allowed to use AI for homework? | What's the difference between getting help and cheating? |
| Tecnologia | Do apps make our lives easier or just busier? | Give me one example from your own week. |
| Moradia | Where you live, is it better to rent or to buy a home? | Would your answer have been the same ten years ago? |
| Cidade | If you were the mayor, what would you spend more money on, and what would you cut? | Who would complain, and what would you tell them? |
| Decisões (third conditional) | What's a decision you're glad you made? What would have happened if you hadn't made it? | Did anyone try to change your mind? |
| Aprender adulto | Some people say adults are too busy to learn a language. Do you agree? | What would you tell someone who believes that? |
No B2, o follow-up mais útil é pedir o outro lado: "What would someone who disagrees say?". Se o aluno concorda com tudo rápido demais, peça para ele defender a posição contrária por um minuto. É nessa hora que aparecem as palavras que faltam.
Como conduzir a conversa
Antes: poucas perguntas e tempo para pensar
Para uns 20 minutos de conversa, três ou quatro perguntas bastam; com vinte, cada resposta fica com uma frase. Dê meio minuto para o aluno pensar e, quando a estrutura for nova, responda você primeiro, em duas ou três frases. A sua resposta vira o modelo que ele adapta.
Em dupla, em grupo ou na aula individual
Em turma, a conversa rende mais em dupla, porque cada um fala muito mais vezes. Dê a quem escuta a tarefa de fazer o follow-up. No fim, cada um conta para a turma o que o colega disse ("She used to play volleyball"), o que treina a terceira pessoa e obriga a ouvir de verdade.
Vale repetir a mesma pergunta com outro colega. Num estudo com 24 alunos de inglês como segunda língua, cada um gravou, em três sessões de treino, três falas de 4, 3 e 2 minutos: uns sobre o mesmo assunto as três vezes, outros sobre três assuntos. A fluência melhorou nos dois grupos durante o treino, mas só quem repetiu o assunto manteve a melhora nos testes feitos depois (De Jong e Perfetti, 2011). Na aula, são três rodadas: a mesma resposta para três colegas, em 4, 3 e 2 minutos, ou menos no A2.
Na aula individual, o colega é você. Fale pouco: a resposta modelo, os follow-ups e o silêncio para ele pensar. Para repetir, peça a mesma história de novo, mais curta, como se fosse para alguém que não estava na conversa.
Quando a conversa vira situação, como a reunião de segunda ou o check-in no hotel, ela já é role-play, que está em atividades interativas para aula de inglês online.
Correção sem cortar a fala
Durante a conversa, anote em vez de interromper. Separe o que atrapalha o sentido e o que é da estrutura da aula; o resto pode esperar. Se uma frase não deu para entender, pergunte o que ele quis dizer. E reaja ao que ele contou antes de corrigir como contou.
Na hora de corrigir, faça o aluno chegar à forma certa antes de você dizer qual é. Num estudo em quatro salas de imersão em francês do ensino fundamental, com 18,3 horas de aula transcritas, a correção mais usada pelos professores foi repetir a frase do aluno já corrigida, e foi a que menos levou o aluno a se corrigir. Pedir que ele reformulasse, dar uma pista sobre a regra, pedir esclarecimento ou repetir só o trecho errado fizeram o aluno se corrigir mais vezes (Lyster e Ranta, 1997). O estudo é com crianças, mas a ideia vale para o adulto: no fim da conversa, mostre quatro ou cinco frases que você ouviu, com o erro, e peça a correção. Em turma, sem dizer de quem é cada uma.
As perguntas no Lanna
As seis atividades com gabarito do Lanna trazem cinco perguntas para conversar na estrutura do tema, dicas para usar em aula e a aula pronta, que abre na própria página. Na parte Speak dessa aula, o slide Talk about you faz perguntas pessoais com a estrutura, com cronômetro, e um botão mostra um follow-up e um começo de resposta para quem travou. Quando a aula vai como tarefa, cada aluno faz no celular, responde por voz e tem uma nova chance nos erros, e as respostas abertas que pedem revisão vão para as Correções da turma. Para um tema fora do hub, como trabalho remoto, você cria o material a partir do tema e a aula sai junto. A conta de professor começa com um teste de 7 dias, sem cartão de crédito; depois, o plano Teacher custa R$299 por mês, e os alunos estudam o que você manda sem pagar.
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