O ChatGPT ajuda quem estuda inglês em quatro coisas: conversar (por texto ou por voz), corrigir o que você escreve explicando o erro, tirar uma dúvida de gramática na hora e criar um texto no seu nível sobre um assunto que você escolhe. Ele não dá nota de pronúncia frase a frase, pode errar com cara de certeza e não monta sozinho uma rotina com material real e revisão. Dá para usar muita coisa de graça, e o resultado depende quase todo de como você pede.
Abaixo estão o que o plano grátis inclui hoje, seis prompts prontos (três deles adaptados das técnicas que eu ensinava no Guia de Idiomas) e os limites que vale conhecer antes de montar os estudos em cima dele.
O que dá para fazer sem pagar
Em setembro de 2026, segundo as páginas de ajuda da OpenAI:
- O ChatGPT tem plano grátis, com conversas de texto do dia a dia sem limite fixo. O modelo usado e os limites mudam com o tempo (OpenAI).
- A conversa por voz existe no grátis, com uso limitado, e o app avisa quando você chega ao limite (OpenAI).
- A memória entre conversas também, numa versão mais leve que a dos planos pagos (OpenAI).
- O modo estudo, que responde com perguntas em vez de entregar a resposta pronta, está em todos os planos desde julho de 2025 (OpenAI).
Para quem estuda inglês, isso já é bastante: um parceiro de conversa disponível a qualquer hora e um corretor de texto paciente.
Quatro regras antes dos prompts
- Diga o seu nível. "Sou A2", "sou B1". Sem isso, a resposta vem numa dificuldade qualquer, muitas vezes acima do que você entende.
- Responda primeiro, peça correção depois. Se você pede a resposta pronta, o exercício acaba ali.
- Use um ou dois prompts por dia. Tentar todos no primeiro dia é o jeito mais rápido de não voltar no segundo.
- Confira em outra fonte qualquer regra que você for decorar. A própria OpenAI avisa que o ChatGPT pode dar respostas incorretas ou enganosas e soar confiante mesmo errado (OpenAI).
Seis prompts para copiar e adaptar
Troque o que está entre colchetes pelo seu caso.
1. Conversa sobre um assunto de que você gosta
Você é meu parceiro de conversa em inglês. Meu nível é [B1]. O assunto é [Fórmula 1].
Faça uma pergunta por vez. Depois de cada resposta minha, comente em uma frase em inglês e faça a próxima pergunta.
A cada 4 perguntas, me mostre em português os erros que eu cometi e a forma certa.
Use vocabulário do meu nível.
A correção em bloco, a cada quatro perguntas, deixa a conversa andar. Escolha um assunto que você discutiria em português: é o interesse que faz você voltar.
2. Correção de texto com explicação
Corrija este texto em inglês que eu escrevi. Meu nível é [B1].
1. Liste cada erro (gramática, tempo verbal, preposição, concordância) e explique em português.
2. Mostre a versão corrigida.
3. Se precisar, mostre como um nativo escreveria a mesma coisa.
Meu texto: [cole aqui]
Serve para e-mail do trabalho, mensagem no LinkedIn, redação. O item 3 é o que mais ensina, porque mostra a diferença entre o certo e o natural.
3. Roleplay de uma situação real
Vamos fazer um roleplay em inglês. Cenário: [check-in num hotel em Nova York; eu sou o hóspede, você é o recepcionista]. Meu nível: [A2].
Você começa a cena. Responda sempre em inglês simples. Não me corrija durante a cena.
Depois de 6 ou 7 falas, me mostre em português um resumo dos meus erros.
Não corrigir durante a cena é de propósito: o objetivo aqui é falar sem travar. A correção vem no fim.
4. Escrever sobre um tema (a técnica de que eu mais gosto)
No Guia de Idiomas, a técnica de escrever sobre um tema é a minha favorita. Você escolhe um assunto de que gosta e escreve um texto de até uma página. Se é iniciante, escreva primeiro em português, para pensar só na mensagem, e depois traduza.
Assistir à aulaEscrevi um texto em inglês sobre [minha rotina de treino]. Meu nível é [A2].
Corrija os erros e explique cada um em português.
Depois, liste 10 palavras e expressões desse tema que eu ainda não usei, com uma frase de exemplo para cada.
A lista do fim é o que faz a técnica render: você aprende as palavras de um tema todas juntas, no contexto. Como eu digo na aula, se o assunto é prato, aparecem garfo, faca, ovo e brócolis no mesmo lugar, e o cérebro trabalha com associação.
5. Tradução bidirecional
A tradução bidirecional é traduzir um texto do inglês para o português e, depois, da sua tradução de volta para o inglês, comparando com o original. A técnica está explicada em detalhe no post sobre tradução bidirecional. O ChatGPT faz bem o papel de quem entrega o texto e compara.
Me dê 3 frases em inglês, nível [A2], sobre [trabalho em escritório]. Não traduza.
No dia seguinte, com a sua tradução em português em mãos:
Aqui está a minha tradução para o português das frases de ontem. Agora vou traduzir de volta para o inglês, sem olhar o original: [sua versão].
Compare com as frases originais e me mostre as diferenças, explicando em português.
No começo, fique em uma a três frases. O vai e volta com o mesmo texto é o que fixa.
6. Falar sozinho, com a voz
Na aula de falar sozinho do Guia de Idiomas eu digo que praticamente todo poliglota faz isso, e sugiro começar com perguntas simples: "O que você vai fazer hoje?", "Como foi o seu dia?". O modo de voz do ChatGPT pode fazer as perguntas por você.
Vamos conversar em inglês por voz. Meu nível é [A2]. Faça perguntas simples sobre o meu dia, uma por vez, e espere a minha resposta.
Não me corrija durante a conversa. No fim, liste em texto as 5 frases que eu mais precisaria corrigir.
Se travar, o post sobre praticar a fala sozinho tem outras formas de começar.
Onde o ChatGPT não resolve
A pronúncia é o primeiro limite. No modo de voz, ele conversa e entende você, mas não mostra uma nota de pronúncia por frase, como faz um app de pronúncia. Se ele te entendeu, ótimo; se não entendeu, muitas vezes você fica sem saber o que ajustar.
O segundo é o material. O texto que ele escreve para você é feito sob medida, e isso ajuda, mas é diferente de ouvir gente de verdade falando na velocidade normal, com sotaque, pausa e gíria. Para chegar à fluência, a base continua sendo escutar e ler muito material real no seu nível, como eu explico no texto sobre input compreensível.
O terceiro é a revisão. A memória do ChatGPT guarda informações sobre você, mas ele não traz de volta, por conta própria, as palavras que você aprendeu nos intervalos da repetição espaçada. Isso fica com você, num caderno, no Anki ou num app.
E tem o risco de depender dele. Num estudo com 50 estudantes de inglês como língua estrangeira, o grupo que teve 12 semanas de ensino apoiado no ChatGPT melhorou mais a escrita e a motivação do que o grupo com ensino tradicional. Os próprios alunos, porém, disseram ter medo de ficar dependentes e dúvida se a melhora se mantinha sem a ferramenta (Song e Song, 2023). É um estudo pequeno, mas o alerta é bom: peça correção depois de tentar, e não antes.
Quando uma ferramenta feita para idioma ajuda
O ChatGPT resolve bem quando você sabe o que pedir. O que ele não faz sozinho é a rotina: pegar um material no seu nível, com áudio, e fazer você passar por ele de vários jeitos, voltando a ele nos dias certos.
No Lanna, você parte de um tema, de um texto ou de um vídeo do YouTube, e o material ganha áudio e frases separadas. A partir daí ele passa pelos 8 modos: Escutar e ler, Treinar pronúncia (com uma nota por frase, a porcentagem das palavras que o reconhecimento de voz entendeu), Escrever, Falar, Conversar, Quiz, Gramática e Flash Cards. As palavras que você salva voltam nos Flash Cards, e o material entra numa agenda de revisão de 1, 3, 5, 7, 15 e 30 dias. Criar os seus próprios materiais é o plano Pro (R$39,90 por mês em setembro de 2026); no plano grátis, você estuda os materiais que o seu professor manda.
Se quiser juntar as duas coisas, use o ChatGPT para as dúvidas e a conversa livre, e deixe o material do dia no Lanna.
Para ver o quadro maior de IA nos estudos de inglês, com outras ferramentas além do ChatGPT, veja como usar IA para aprender inglês. Para conversação especificamente, tem como praticar conversação em inglês com IA.